Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de abril, 2018

O trabalho invisível

Outro dia em conversa com um amigo, falávamos a respeito das zeladoras responsáveis pela limpeza e organização da faculdade. Levantamos a discussão sobre respeito a essa profissão e principalmente pelo ser humano que ocupa determinada função. Ele então me contou o seguinte fato: "Certa vez estava conversando com um colega e ele colocou o pé na parede. Eu incomodado com a situação, olhei com cara feia para e imediatamente ele entendeu e retirou o pé da parede". Eu questionei o porquê aquilo o incomodou tanto? E ele me respondeu: "Por que eu chego para trabalhar às sete horas da manhã e as zeladoras já estão ajoelhadas esfregando a parede com esponja para retirar a sujeira deixada por aqueles que, assim como ele não respeitam o trabalho do outro". Naquele momento fiquei com um nó na garanta, se antes eu já respeitava, hoje eu admiro e respeito cada vez mais. E cada vez que eu tiver oportunidade de contar essa história e conscientizar as pessoas, assim o farei. Infel...

Cidade maravilha, purgatório da beleza e do CAOS

Um cenário de casas abarrotadas de pessoas com medo e humilhadas. A pergunta, que tiro foi esse? Ironizada na letra da música de Jojo Toddynho, nunca foi tão temida quanto agora. A cidade maravilhosa vive momentos de terror, em meio à “loteria” de tiros que assombra os moradores do Rio de Janeiro. O que mais nos indigna é o silêncio das autoridades e instituições cuja função é zelar pela garantia do direito à vida e integridade dos cidadãos. Mas afinal, a violência está somente no Rio? Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou cerca de 60 mil assassinatos por ano, entre 2011 e 2015. Esse número é maior que a Síria em guerra nesse mesmo período. Dados que comprovam a calamidade da situação. Uma guerra que não fica restrita ao Rio de Janeiro, uma vez que ele é considerado o décimo estado com maior taxa de mortes violentas do País, como demonstra o ranking do Fórum Brasileiro, com dados de 2017. Isso quer dizer que outros nove estados apresentam índices mais e...

Um parto “celebrado” pelo descaso

Uma matéria publicada no Estadão, escrita pela jornalista Rita Lisauskas, sobre violência obstétrica, me chamou atenção. O título dizia: "Estudante de medicina escreve desabafo depois de assistir a parto violento feito por professora". O caso é uma narrativa de uma menina de 16 anos, grávida do seu primeiro filho. Sentindo contrações ela vai até a maternidade para dar a luz ao seu bebê. No decorrer do texto, conta-se o passo a passo de um procedimento "violento" e desnecessário realizado pela médica obstetra. Muitas pessoas criticaram a veracidade do ocorrido descrito pela jornalista. O fato é que a leitura traz à tona a discussão a respeito da violência obstétrica sofrida por muitas mulheres. Eu mesma conheço histórias de mulheres que sofreram e não denunciaram, por medo ou por não saber que aquela conduta era criminosa. Presenciei mulheres ouvindo insultos por parte da equipe médica do tipo: “tá gritando por quê? Na hora de fazer o filho, não gritou né?” ou aind...

Vigiados 24 horas

Cerca de 50 milhões de usuários da rede social Facebook tiveram seus dados utilizados sem consentimento. Ao criar um perfil e clicar em aceito você automaticamente está dando permissão à rede de ter acesso a sua privacidade. O que os usuários não esperavam é que dados como ligações, SMS recebidos e enviados, nomes dos contatos e números de telefones, também pudessem ser acessados. A notícia foi publicada pelos jornais " New York Times " e " Guardian " que dizem que, as informações foram utilizadas pela Cambridge Analytica , empresa de análise de dados. Segundo os jornais, a empresa conseguiu acesso aos dados através de um teste psicológico feito na rede social. Mark Zuckerberg fundador do facebook assumiu que houve erro por parte da empresa, gerando dúvidas quanto à transparência e proteção dos dados dos usuários.   Com esse escândalo, a empresa foi prejudicada na bolsa de valores, os papéis caíram 9,15% e como consequência a perda de mais de US$49 milhões em val...

Política, carnaval e BBB

O último “paredão da casa mais vigiada do país”, teve cerca de 43 milhões de votos segundo o site Folha de São Paulo, quase a metade das últimas eleições presidenciais. Os números do carnaval de 2018, segundo a Prefeitura de São Paulo são de 12 milhões de foliões nas ruas. Incrível não é mesmo? Muita gente votando no seu favorito e é claro festejando o carnaval, afinal não temos nada do que nos queixar! Numa breve análise, questiono o fato do por que essas milhares de pessoas não saem nas ruas para protestar e exigir seus direitos básicos, como saúde e educação? Onde estão essas 12 milhões de pessoas que não se unem para exigir o fim da corrupção, reivindicar justiça aos condenados do mensalão? A casa mais vigiada do país deveria ser o Palácio do Planalto, e o seu voto deve ser para eleger alguém que faça a diferença, alguém que esteja farto de tanta roubalheira, e não para o corrupto que te compra com uma cesta básica ou uma dentadura. Temos que festejar o fim do “carnaval da corrup...

O tiro saiu pela culatra

A Rede Globo lançou a campanha “O Brasil Que eu Quero” com a intenção de que os telespectadores gravassem vídeos “bonitinhos” no melhor ponto turístico de sua cidade e enviassem à emissora para serem exibidos em horário nobre. Com isso, tinha a certeza que atingiria a grande massa por dois motivos, aproveitando-se da “cultura da celebridade instantânea” dando chance das pessoas aparecerem na TV (o que muitas fazem a qualquer custo) e expor um mosaico recheado das mais belas paisagens dentre as 5 mil cidades do país. Mas parece-me que o resultado foi desastroso. O Brasil que os brasileiros querem não é o mesmo que a Globo quer, os vídeos mostraram a realidade do país. Ao invés de pontos turísticos, as imagens são de favelas, esgotos a céu aberto, filas de desempregados, hospital lotados, lixões e os depoimentos repletos de franqueza e indignação. E agora produção?   Mariza Mattos