Uma matéria publicada no
Estadão, escrita pela jornalista Rita Lisauskas, sobre violência obstétrica, me
chamou atenção. O título dizia: "Estudante de medicina escreve desabafo
depois de assistir a parto violento feito por professora". O caso é uma narrativa
de uma menina de 16 anos, grávida do seu primeiro filho. Sentindo contrações
ela vai até a maternidade para dar a luz ao seu bebê. No decorrer do texto, conta-se
o passo a passo de um procedimento "violento" e desnecessário
realizado pela médica obstetra. Muitas pessoas criticaram a veracidade do
ocorrido descrito pela jornalista. O fato é que a leitura traz à tona a
discussão a respeito da violência obstétrica sofrida por muitas mulheres. Eu
mesma conheço histórias de mulheres que sofreram e não denunciaram, por medo ou
por não saber que aquela conduta era criminosa. Presenciei mulheres ouvindo
insultos por parte da equipe médica do tipo: “tá gritando por quê? Na hora de
fazer o filho, não gritou né?” ou ainda o descaso no tratamento da paciente,
como por exemplo, sangue por todo lado no banheiro utilizado pelo coletivo, o
recém-nascido “esquecido” nos pés da mãe, enquanto a enfermeira lhe dava
medicamento. Situações que presenciei, mas não denunciei, pois não tenho
provas. Na época, foi negado a mim, o direito de ficar com o celular e também
com acompanhante. Só depois que passou o acontecido, entendi o porquê tudo era
proibido. Afinal, de que vale a palavra da “Maria” contra a dos “doutores”
daquele hospital? Coitada da Maria, mal sabe dos seus direitos, para poder
lutar por eles. Se não há provas, não há crime.
Mariza Mattos
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| Foto: Divulgação |

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