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Artigo de Opinião-Acessibilidade


Acessibilidade à sua consciência

            A Constituição Federal assegura o direito de ir e vir a todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, a realidade é bem diferente. É fato que uma parcela da população mundial convive com alguma forma de deficiência, seja ela visual, física, mental auditiva ou múltipla. Além de suas limitações físicas, essas pessoas ainda sofrem com a discriminação, e com a exclusão social.
Muitos são os obstáculos enfrentados diariamente, seja pela falta de rampas, banheiros adequados, pisos táteis para deficientes visuais fora dos padrões ou ainda quando se deparam com uma vaga reservada para eles, sendo ocupada por quem não teria necessidade.
O que deveria dar-lhes segurança e autonomia gera frustação e transtornos. Um desrespeito a uma expressiva parcela do nosso povo. Não importa se o município é de grande porte como Joinville, em Santa Catarina, cidade de onde eu venho, ou se é uma cidade do interior, como Cascavel cidade onde moro atualmente: a acessibilidade é restrita com a mesma intensidade em ambos municípios. Não podemos considerar como “normais” situações que excluem parte da sociedade. Os obstáculos que impedem o direito à acessibilidade não estão somente nas ruas, são, principalmente, de caráter político e da falta de sensibilidade, respeito e educação das pessoas. 
Digo isso por que, outro dia estava manobrando meu carro no estacionamento da faculdade, quando me deparei com uma cena “aparentemente comum”, se não fosse o fato de se tratar de uma vaga destinada a pessoas com deficiência. Um carro preto estacionou na vaga reservada - para cadeirante - de imediato olhei para ver se o veículo portava o adesivo de cadeirante que permite que ele utilize aquele espaço, e constatei que ele não possuía o símbolo. Ainda acreditando no caráter do ser humano, observei com paciência para não fazer um julgamento precipitado. Pensei em falar algo, mas partindo do pressuposto que o rapaz pudesse ter estacionado o carro ali, para o embarque de alguma pessoa com deficiência, calei-me e continuei a olhar. O rapaz estacionou, desceu do carro, e adivinhe? Com a maior “cara de pau”, ele saiu do veículo, olhou para os lados e foi até um bar se divertir com os amigos. [sic] Pensem na minha indignação: queria pegá-lo pelo pescoço.
E aí eu me pergunto o que nos falta? Educação ou empatia? Aquele rapaz não parece alguém desprovido de conhecimento. Ele portava livros e um caderno em seus braços. Certamente se tratava de um acadêmico. O que me faz constatar que uma pessoa que cursa um ensino superior tem capacidade – ou deveria ter - e discernimento para saber que está errado ao estacionar em uma vaga destinada a cadeirante, afinal, ele sabe ler.
Uma coisa é certa: não podemos nos acomodar e deixar de exigir aquilo que é amparado por lei. É um erro admitir situações desrespeitosas como esta. Não diz respeito somente ao que está previsto em lei. É uma questão de respeito e amor ao próximo. Se para aquele rapaz estacionar em um local mais afastado gera “transtornos”, como, por exemplo, ele ter que caminhar alguns metros a mais, imagine para alguém que se locomove com dificuldades, cadeira de rodas ou muletas?! Entristece-me perceber o quão egoísta e egocêntrico o ser humano tem se tornado. Pensa somente na sua comodidade, no seu bem-estar, sem ter o mínimo de empatia de perceber o outro. As pessoas acostumam a achar situações como estas normais. Acomodam-se, e não enxergam na diversidade uma maneira de se reinventar, criar, mudar, facilitar, acolher e principalmente APRENDER.
A diferença, seja ela qual for, necessita de olhares sensíveis, capazes de ver o invisível. Precisamos de inquietude. Ela nos mobiliza! Não seja você o rapaz do estacionamento, ele certamente tem a pior das deficiências: a falta de amor ao próximo.

Mariza Mattos- Acadêmica do 6º semestre de Jornalismo.

Foto: Divulgação



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