Programa Família Acolhedora de Cascavel é referência nacional
Com 11
anos de existência, ele é considerado o maior do país em termos de adesão
Mariza Mattos
Família
Acolhedora é um programa federal, e Cascavel é considerada referência no país, segundo
o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A iniciativa atende
crianças e adolescentes que foram afastados das suas famílias por algum motivo,
como forma de proteção. Mesmo sendo bastante divulgado, o programa ainda gera
algumas dúvidas referentes à diferença entre adoção e família acolhedora.
Pois bem, a
família acolhedora recebe a guarda provisória da criança, que pode ficar na
residência até completar 21 anos. Já no caso de adoção a criança recebe o sobrenome
dos pais, se torna filho do casal, com todos os direitos preservados perante a
lei, tal qual um filho biológico.
Essas famílias
recebem 75% do salário mínimo para ajudar nas despesas das crianças, além
disso, uma equipe de profissionais realiza o acompanhamento diário junto às
famílias. Esse valor é pago pela prefeitura do município.
O atual juiz da
Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça, Sérgio Kreus foi um dos idealizados
do projeto, quando ainda era juiz da Vara da Infância em Cascavel. Ele explica
as vantagens do programa: “A grande vantagem do acolhimento é a possibilidade
dessa criança ser cuidada por uma família, ou seja, ter um atendimento
individualizado, mais próximo, com a possibilidade de criar vínculos de afeto e
afinidade com a família acolhedora, o que normalmente é muito difícil de
acontecer num abrigo’’.
A dona de
casa, Maria Helena da Silva, 38, concorda com a afirmação. Ela participa do
programa há um ano. Atualmente cuida de três irmãos, e conta que tomar essa
decisão foi a melhor coisa que já fez. “Eu costumo dizer que recebi essa
missão, e devo cumprir. Na verdade fui premiada por poder cuidar dessas
crianças. Eles me ensinam muito, todos os dias”.
Jorge (nome
fictício),10, é uma das crianças acolhidas por Maria Helena. Ele fala que gosta
muito de sua mãe acolhedora, a outra mãe batia muito nele e nos irmãos, assim
como o pai, que eles chamam de “Pedrinho espancador”. “Meu pai sempre bebia,
daí chegava em casa e espancava a gente, às vezes era com cinta, vara ou com
fio de luz”.
Pessoas que têm
interesse em participar do programa, devem cumprir alguns requisitos. A
coordenadora do projeto Neusa Cerutti, explica quais são: “Para se cadastrar no
programa, a pessoa precisa ser maior de idade, residir em Cascavel, apresentar
documentos de negativa quanto à antecedentes criminais. Além disso, serão feitas
entrevistas com psicólogos e investigação social”, afirma.
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