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Destinos cruzados

Atividade de observação

É quinta-feira, dia 26 de abril, lá fora faz um dia lindo, o pôr do sol transborda
beleza, digno de ser admirado por horas a fio. Algumas pessoas estão
chegando, outras saindo. Há um fluxo intenso nesse instante entre carros,
motos, ônibus e pessoas. Todos têm muita pressa. Na parte interna da
faculdade, ela ocupa a terceira mesa da cantina, sentada na cadeira que fica
de frente para a vitrine de doces. Veste calça jeans, camiseta preta com
estampa na parte da frente representando um gatinho na cor branca. Nesse
tempo que eu escrevi essas linhas ela já olhou o celular cinco vezes, roeu as
unhas da mão esquerda, e agora bate os dedos na mesa, como se estivesse
ansiosa a espera de alguém. É uma jovem loira, que aparenta ter entre 25 a 30
anos, têm cabelos lisos, os quais estão presos, estilo rabo de cavalo, usa uma
maquiagem leve e discreta. Ela fica a observar todos a sua volta, cada pessoa
que passa, ela segue com o olhar até perder de vista.
De repente, passa por mim outra moça que me cumprimenta e eu retribuo.
Essa nova personagem, veste calça jeans e blusa branca, sem detalhes. Neste
momento a moça que eu descrevo deste o início da narrativa, passa a me notar
pela primeira vez. A jovem que acaba de entrar na história dirige-se até a mesa
onde está a loira que eu observo desde as 18h da tarde, puxa uma cadeira e
senta-se ao lado da aparentemente amiga e fala algo. A expressão da moça
que estava aguardando não parece de contentamento, ela não sorri, não faz
nenhum gesto, além da linguagem corporal, os braços cruzados demonstram
que não está aberta àquela conversa. Com seus olhos fixos no que a outra
diz, ela presta atenção em cada palavra. As duas conversam, e então um leve
sorriso aparece em seu rosto, ambas pegam as bolsas e o caderno que estava
sob a mesa e saem em direção ao bloco B.
No caminho, encontram um cãozinho na cor preta que as cumprimenta e
pede carinho, elas param para brincar e "conversar" com o cão. O bichano
muito esperto percebeu que as jovens não tinham comida e então se afastou. A
moça de camisa branca pede para a amiga lhe esperar e sai novamente em
direção à cantina, enquanto a outra olha o celular e a espera. Alguns segundos
depois, ela sai da cantina vai ao encontro da amiga e agora, vão em direção ao
bloco C, sentido saída.
Ao chegar do lado de fora, elas chamam o cãozinho para uma nova "conversa",
ele abana o rabo demonstrando extrema felicidade e vai até elas. Aquela
parecia ser uma noite de sorte para ele, pois a moça lhe deu o que comer, ela
entendeu a mensagem transmitida através de olhares e abanadas de rabo.
Não consegui perceber o que ela havia comprado para dar à ele, mas
certamente aquela refeição o deixou muito feliz.
As meninas entraram novamente e agora sim, seguiram em direção ao bloco B
que parecia ser o caminho que elas deveriam ter seguido há minutos atrás, se
o cãozinho não tivesse aparecido. A partir desse momento não consigo mais
vê-las, elas somem do meu campo de visão, assim como o cãozinho que eu
não pude acompanhar o jantar, mas sei que neste dia um anjo de quatro patas
dormiu sem fome.
 Mariza Mattos




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